GERENCIAMENTO SEGURO DE ANESTÉSICOS LOCAIS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: EXPERIÊNCIA DA UBS JARDIM MARACÁ
Resumo
INTRODUÇÃO: Os anestésicos locais utilizados na odontologia são medicamentos potencialmente perigosos que requerem controle rigoroso durante sua dispensação, administração e rastreabilidade. Na UBS Jardim Maracá, foi estruturado um fluxo de trabalho entre a Farmácia e a equipe de Odontologia para garantir o monitoramento farmacêutico, a rastreabilidade dos medicamentos e a segurança do paciente na Atenção Primária à Saúde. OBJETIVO: Avaliar o perfil de utilização de anestésicos locais na UBS Jardim Maracá e descrever como o fluxo de trabalho estabelecido entre a Farmácia e a equipe de Odontologia contribui para a rastreabilidade dos medicamentos potencialmente perigosos e para o fortalecimento da segurança do paciente. MÉTODOS:Estudo observacional, retrospectivo e descritivo, realizado na UBS Jardim Maracá, por meio da análise dos registros referentes aos procedimentos odontológicos realizados entre 21 de novembro de 2024 e 30 de julho de 2026. Foram avaliados: Número de pacientes atendidos; Quantidade de tubetes anestésicos utilizados; Faixa etária; Perfil assistencial; Consumo dos anestésicos locais. Também foi descrito o fluxo local de gerenciamento dos anestésicos entre Farmácia e Odontologia, contemplando a dispensação, monitoramento farmacêutico, rastreabilidade e registro das informações referentes ao tipo de anestésico, lote, validade e quantidade administrada. RESULTADOS:
Foram analisados 604 pacientes, com utilização de 1.477 tubetes anestésicos, correspondendo à média de 2,45 tubetes por paciente. Observou-se maior concentração de atendimentos entre pacientes de 46 a 60 anos (175) e com 60 anos ou mais (138). Entre os anestésicos empregados, observou-se predominância da prilocaína 3% associada à felipressina (0,03 UI/mL), responsável por aproximadamente 55% dos tubetes utilizados, seguida da lidocaína 2% associada à epinefrina 1:100.000, correspondente a cerca de 45% do total administrado. O fluxo local estabelecido entre Farmácia e Odontologia possibilitou a rastreabilidade de todos os anestésicos administrados, por meio do registro em prontuário do tipo de anestésico, lote, validade e quantidade utilizada, permitindo o monitoramento farmacêutico desde a dispensação até a administração, conforme fluxo pactuado entre os setores. O processo também contempla a identificação, análise e comunicação de desvios relacionados ao uso dos medicamentos, fortalecendo a cultura local de segurança do paciente por meio da notificação de eventos e da implementação de ações de melhoria contínua. CONCLUSÃO: A experiência da UBS Jardim Maracá demonstra que a integração entre Farmácia e Odontologia permitiu consolidar um fluxo local de gerenciamento dos anestésicos locais baseado na rastreabilidade, no monitoramento farmacêutico e na padronização dos registros assistenciais. A manutenção desse processo fortalece a cultura de segurança do paciente na Atenção Primária à Saúde, assegura a continuidade da rastreabilidade dos medicamentos potencialmente perigosos ao longo de todas as etapas do cuidado e subsidia o gerenciamento de riscos, a tomada de decisão e a melhoria contínua da qualidade assistencial.
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