ATRAVESSAMENTOS DA HOSPITALIZAÇÃO NA SUBJETIVIDADE DE PESSOAS QUE GESTAM
Palavras-chave:
Gravidez, Transtornos Relacionados ao Uso de Substâncias, Saúde Mental, Redução do Dano, HumanizaçãoResumo
O período gestacional em contexto de uso de álcool e outras substâncias psicoativas (SPAs) configura uma gestação de alto risco, frequentemente associada a internações compulsórias que, embora justificadas pela proteção do nascituro, podem invisibilizar a subjetividade da gestante e operar sob lógicas de economia moral que dificultam a construção de autonomia. Este relato descreve a experiência de um grupo psicoterapêutico semanal, aberto e homogêneo, realizado em uma enfermaria de saúde mental de hospital geral do interior paulista, com gestantes hospitalizadas (voluntárias, involuntárias ou compulsórias). Orientado pela perspectiva da redução de danos, o grupo objetivou psicoeducar, fortalecer estratégias de enfrentamento e resgatar a consciência de si e a autonomia das participantes. As sessões foram conduzidas a partir do compartilhamento de histórias de vida, com discussões sobre cuidado, autocuidado, expectativas em relação à gestação, parto, maternidade e o estigma associado ao uso de SPAs. Observou-se que o espaço grupal favoreceu a elaboração de conflitos, o fortalecimento de vínculos com a equipe e a ressignificação do projeto de cuidado, mesmo em contexto de internação. A experiência aponta para a potência de estratégias grupais como ferramenta de humanização e continuidade do cuidado, indicando a necessidade de políticas públicas que considerem a complexidade da gestação em uso de SPAs.
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