A FISIOTERAPIA COLETIVA COMO ESTRATÉGIA DE CUIDADO LONGITUDINAL NAS DOENÇAS CRÔNICAS ORTOPÉDICAS

Autores

  • Bruna Parreira Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (CEJAM), Unidade Básica de Saúde Alto Da Riviera, SP, Brasil.

Palavras-chave:

Fisioterapia, Atividade coletiva, Doenças Crônicas, Acesso ao cuidado, cuidado longitudinal, doenças crônicas não transmissíveis, ortopedia

Resumo

Bruna Rita Barbosa Parreira

CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim, UBS Alto da Riviera - São Paulo

A dor crônica musculoesquelética tem crescido entre a população brasileira gerando altos custos para os serviços de saúde. O fisioterapeuta da Atenção Primária a Saúde (APS) atua diretamente no manejo clínico em indivíduos nessas condições. Os grupos de fisioterapia da UBS Alto da Riviera são terapêuticos e semanais para o manejo de doenças crônicas ortopédicas e recuperação funcional. O objetivo desse estudo foi avaliar o impacto do acompanhamento fisioterapêutico longitudinal em grupos na redução do quadro álgico e na melhoria da qualidade de vida dos usuários, além de analisar o fluxo de alta e a resolutividade do serviço. A análise ocorreu de abril a agosto de 2026 com uma amostra de 43 pacientes; A análise dos dados revela um cenário clínico altamente expressivo: 74,42% da amostra (32 pacientes) recusam-se a receber alta, permanecendo nos grupos de fisioterapia crônica mesmo após atingirem melhora clínica palpável. A alta por melhora clínica aponta 9,30% da amostra, (apenas 4 pacientes), refletindo entendimento por poucos pacientes que, após ganho terapêutico, deve-se finalizar o ciclo de sessões no grupo e aderir atividade física permanente. Já a taxa de abandono de 16,28% (7 pacientes), está dentro da média esperada para grupos de longa duração, podendo ser apontado diversos fatores para não adesão aos grupos como: incompatibilidade de horários, indisponibilidade devido atividade laboral ou déficit em realizar atividades coletivas. O fluxo assistencial iniciou-se com a consulta médica na Atenção Primária à Saúde. Diante da indicação de intervenção fisioterapêutica, os pacientes foram encaminhados para a consulta inicial. Nesta etapa, foram mensuradas a intensidade da dor, por meio da Escala Visual Analógica (EVA), e a amplitude de movimento (ADM) ativa. Os indivíduos que preencheram os critérios de elegibilidade estabelecidos, foram inseridos no grupo de fisioterapia; aqueles que não atenderam, foram referenciados para a atenção secundária. A intervenção baseou-se em 10 sessões semanais de cinesioterapia, treino de marcha, equilíbrio e propriocepção. Após o término, foram reavaliados; os participantes que evoluíram com redução do quadro álgico e ganho de mobilidade articular receberam alta do programa e foram estimulados à prática de atividades físicas regulares. Em contrapartida, os que não apresentaram resposta terapêutica satisfatória, repetiram o ciclo e, persistindo as queixas, foram contra referenciados para consulta médica para novos desdobramentos clínicos. O elevado índice de permanência dos indivíduos nos grupos de fisioterapia e a escassez de altas clínicas não traduzem a ineficácia do tratamento, mas sim uma retenção voluntária na busca por segurança terapêutica; esse fenômeno resulta no estrangulamento da agenda, compromete a rotatividade de vagas e obstrui o ingresso de novos pacientes. Conclui-se, que o grupo transcende a mera intervenção de reabilitação física, consolidando-se como uma essencial rede de suporte psicossocial e de caráter preventivo.

  1. Articulação das redes de atenção a saúde e APS. Articulação das Redes de Atenção à Saúde e Atenção Primária à Saúde — Ministério da Saúde
  2. Atenção primária. Atenção Primária — Ministério da Saúde
  3. Biblioteca virtual em saúde. Ministério da saúde. Lei nº 8080: 30 anos de criação do Sistema Único de Saúde (SUS) | Biblioteca Virtual em Saúde MS
  4. Atualização sobre a dor crônica musculoesquelética: revisão narrativa. https://doi.org/10.5935/2595-0118.20240047-pt

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Publicado

2026-09-29

Como Citar

Parreira, B. (2026). A FISIOTERAPIA COLETIVA COMO ESTRATÉGIA DE CUIDADO LONGITUDINAL NAS DOENÇAS CRÔNICAS ORTOPÉDICAS. Anais De Eventos Científicos CEJAM, 1(12). Recuperado de https://evento.cejam.org.br/index.php/AECC/article/view/1219