QUANDO A TRIAGEM AUDITIVA FALHA, A REDE RESPONDE: CUIDADO INTEGRADO PARA O DIAGNÓSTICO E A INTERVENÇÃO OPORTUNA
Resumo
Introdução: A audição é fundamental para o desenvolvimento da comunicação, linguagem e interação social. Nos primeiros anos de vida, o sistema nervoso apresenta intensa capacidade de desenvolvimento, tornando esse período essencial para a aquisição das habilidades auditivas. A identificação precoce da perda auditiva e a intervenção oportuna são fundamentais para minimizar impactos no desenvolvimento infantil. Nesse contexto, os bebês que apresentam falha na Triagem Auditiva Neonatal (TANU) são encaminhados diretamente da maternidade para diagnóstico audiológico no CER IV M’Boi Mirim
Objetivo: Relatar a experiência de articulação em rede do CER IV M’Boi Mirim no cuidado de recém-nascidos com falha na TANU, desde o encaminhamento pela maternidade até o diagnóstico, intervenção e continuidade do cuidado em parceria com a Atenção Primária à Saúde.
Métodos:
- Encaminhamento direto: maternidade → CER IV M’Boi Mirim, por meio de vagas disponibilizadas pelo CER e reguladas pela CRSUL/SMS.
- Avaliação multiprofissional: primeiro atendimento com avaliação clínica pelo otorrinolaringologista e exames audiológicos objetivos realizados pela fonoaudióloga.
- Diagnóstico e intervenção oportuna: priorização dos recém-nascidos diagnosticados nos processos para concessão de AASI, quando indicado, e/ou encaminhamento para avaliação de Implante Coclear.
- Articulação com a APS: matriciamento e comunicação com a equipe de referência após o diagnóstico, para alinhamento do cuidado e orientação à família.
- Busca ativa: em casos de ausência aos atendimentos, articulação com a UBS para favorecer a continuidade do cuidado.
- Humanização: acolhimento e escuta qualificada da família ao longo de todo o processo diagnóstico, com comunicação cuidadosa e orientação individualizada diante do diagnóstico da perda auditiva.
Resultados: A articulação entre maternidade, CER IV M’Boi Mirim e Atenção Primária mostrou-se fundamental para a continuidade e integralidade do cuidado após a falha na TANU. Até o momento, em 2026, foram encaminhados 9 recém-nascidos, com idade média de 1,8 mês no diagnóstico audiológico, evidenciando a possibilidade de investigação e identificação precoce da perda auditiva. Nos casos confirmados, a atuação integrada da equipe possibilitou o início oportuno da intervenção, incluindo adaptação de AASI e/ou encaminhamento para avaliação de Implante Coclear, conforme indicação clínica e desejo familiar. A comunicação e o matriciamento com a APS favoreceram o acompanhamento compartilhado, incluindo monitoramento do uso e resposta ao AASI, do desenvolvimento das habilidades auditivas e comunicativas e da necessidade de novas condutas. A busca ativa em parceria com a UBS contribuiu para a continuidade do cuidado diante de faltas aos atendimentos. A abordagem humanizada ao longo de todo o percurso favoreceu a compreensão do diagnóstico, a participação e a adesão das famílias às intervenções propostas.
Conclusão: A experiência do CER IV M’Boi Mirim demonstra que a articulação entre maternidade, CER e Atenção Primária é fundamental para garantir a continuidade e a integralidade do cuidado após a falha na TANU. O fluxo estruturado possibilitou diagnóstico audiológico precoce e intervenção oportuna, associado ao acompanhamento compartilhado e à busca ativa. A abordagem humanizada ao longo desse percurso fortalece o vínculo com as famílias e favorece sua participação no cuidado, contribuindo para melhores oportunidades de desenvolvimento auditivo e comunicativo.
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