MUITO ALÉM DO OUVIR O PAPEL DA FONOAUDIOLOGIA NA REABILITAÇÃO AUDITIVA INFANTIL
Resumo
Introdução: O Serviço de Saúde Auditiva do CER IV M’Boi Mirim vem aprimorando suas estratégias de cuidado voltadas às crianças com perda auditiva. A ampliação do diagnóstico auditivo infantil no serviço, em meados de 2021, ampliou a identificação de novos casos e, consequentemente, o número de crianças inseridas na reabilitação auditiva, incluindo a fonoterapia semanal. Nesse contexto, o diagnóstico precoce, a adaptação oportuna do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI) e o acompanhamento terapêutico são fundamentais para o desenvolvimento das habilidades auditivas e comunicativas. A reabilitação tem como centro do cuidado a criança, a família e o terapeuta, em um processo contínuo e compartilhado. O aumento da demanda impulsionou a organização e o aprimoramento dos processos de cuidado e do fluxo assistencial.
Objetivo: Relatar a experiência da atuação fonoaudiológica na reabilitação auditiva infantil, destacando a organização do cuidado e as estratégias desenvolvidas junto à criança, à família e ao terapeuta.
Métodos: Relato de experiência institucional sobre a reabilitação auditiva infantil no CER IV M’Boi Mirim, envolvendo crianças com perda auditiva após adaptação de dispositivos auditivos.
Processo de cuidado fonoaudiológico:
- Acolhimento da criança e família;
- Anamnese, avaliação e reavaliação;
- Definição de metas terapêuticas;
- Intervenção para desenvolvimento das habilidades auditivas e comunicativas;
- Manutenção e ajustes dos AASI;
- Encaminhamento interno conforme as necessidades identificadas;
- Matriciamento com a rede de saúde e instituições de ensino, quando necessário;
- Monitoramento da evolução e ajustes terapêuticos.
O planejamento é continuamente revisado conforme a evolução da criança e as necessidades da família, com estímulo à continuidade das estratégias para além do ambiente terapêutico.
Resultados: A experiência no serviço evidenciou a importância do acompanhamento fonoaudiológico contínuo, considerando as necessidades auditivas, linguísticas, comunicativas e o contexto familiar de cada criança. A participação ativa da família favoreceu a continuidade das orientações e estratégias no ambiente domiciliar, ampliando sua aplicação para diferentes situações do cotidiano. A articulação com a escola, quando necessária, também possibilitou a inserção dessas estratégias no contexto educacional, contribuindo para a comunicação, aprendizagem e participação social da criança. O acompanhamento integrado, associado ao uso consistente dos dispositivos auditivos e à atuação compartilhada entre criança, família, terapeuta e rede de apoio, favoreceu a ampliação das possibilidades de comunicação e participação em diferentes contextos.
Conclusão: A experiência do CER IV M’Boi Mirim reforça a importância da reabilitação auditiva infantil como um processo contínuo e integrado, que ultrapassa o uso dos dispositivos auditivos. A atuação fonoaudiológica, articulada à família, à equipe e à rede de apoio, favorece um cuidado ampliado, voltado não apenas às habilidades auditivas e comunicativas, mas também à participação da criança em seus diferentes contextos.
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