DA ESPERA À PARTICIPAÇÃO: O CUIDADO PSICOLÓGICO AOS FAMILIARES EM REABILITAÇÃO
Palavras-chave:
Reabilitação, Família, Psicologia, Cuidadores, AcolhimentoResumo
O processo de reabilitação de crianças e adolescentes mobiliza diretamente seus familiares, que frequentemente vivenciam sobrecarga, dúvidas e inseguranças no manejo cotidiano. No CER IV M’Boi Mirim, identificou-se a necessidade de ampliar o cuidado para além do paciente, reconhecendo a família como parte ativa do processo de reabilitação. O trabalho teve como objetivo descrever a experiência da Psicologia na condução de grupos com familiares de crianças e adolescentes em reabilitação, com foco no acolhimento, orientação, fortalecimento das competências parentais e corresponsabilização no cuidado. Trata-se de relato de experiência desenvolvido no CER IV M’Boi Mirim com familiares de crianças e adolescentes em acompanhamento. Os encontros foram organizados conforme faixa etária e características dos grupos. A Psicologia utilizou escuta qualificada, psicoeducação, atividades reflexivas e discussões grupais. Foram abordados limites e frustração, autonomia, rotina, participação familiar, sobrecarga dos cuidadores, rede de apoio, processo de alta e corresponsabilização no cuidado. A experiência evidenciou o grupo como espaço de acolhimento, troca de experiências e reflexão sobre práticas parentais e participação familiar no processo de reabilitação. Observou-se maior envolvimento dos familiares nas discussões, compartilhamento de estratégias para o cotidiano e ampliação da reflexão sobre autonomia, limites e responsabilidades parentais. Sobrecarga dos cuidadores, fragilidades na rede de apoio e receio diante da alta emergiram de forma recorrente. A Psicologia favoreceu a escuta das demandas emocionais, a mediação das discussões e a construção coletiva de possibilidades de cuidado, contribuindo para uma participação mais ativa da família. Conclui-se que a inclusão da Psicologia junto aos familiares amplia o cuidado para além da criança ou adolescente em reabilitação e reconhece a família como parte integrante desse processo. O grupo mostrou-se espaço de acolhimento, orientação e fortalecimento das competências parentais, favorecendo participação e corresponsabilização no cuidado. A experiência reforça a importância de espaços sistemáticos destinados aos familiares na reabilitação multiprofissional.
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