Organização do Processo de Trabalho das ações de vacinação: Impacto de equipes dedicadas a APS.
Palavras-chave:
Trabalho e Produtividade, Equipes dedicadas, Atenção Primária à SaúdeResumo
A recuperação das coberturas vacinais representa um dos principais desafios da Atenção Primária à
Saúde (APS), exigindo não apenas estratégias de ampliação do acesso da população aos
imunizantes, mas também modelos organizacionais capazes de otimizar a utilização dos recursos
humanos disponíveis. Nesse contexto, a reorganização do processo de trabalho por meio da
constituição de equipes dedicadas exclusivamente às ações de vacinação pode favorecer ganhos de
produtividade e ampliar a capacidade operacional dos serviços de imunização. O presente estudo
teve como objetivo analisar o impacto da utilização de equipes dedicadas na produtividade das
ações de vacinação extramuros desenvolvidas em uma região do município de São Paulo. Trata-se
de um estudo observacional, descritivo e retrospectivo, com abordagem quantitativa, realizado entre
abril e junho de 2026. Foram utilizados dados secundários provenientes do Sistema de Informação
do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), relatórios de produção das unidades participantes,
prontuários eletrônicos e planilhas de monitoramento territorial. Foram analisados o número de
doses aplicadas, o quantitativo de profissionais mobilizados, a produtividade por vacinador, a razão
de eficiência entre as ações extramuros e a rotina das unidades, bem como a correlação entre força
de trabalho e produção vacinal. No período estudado foram aplicadas um total de 12.616 doses
pelas equipes dedicadas em ações de vacinação casa a casa. A produtividade média foi de 56,3
doses por vacinador, enquanto as ações extramuros apresentaram produtividade 378,6% superior à
média semanal das unidades, correspondendo a uma razão de eficiência de 4,78. Verificou-se ainda
correlação linear muito forte entre o número de vacinadores mobilizados e o volume de doses
aplicadas (r = 0,996), evidenciando elevada dependência da disponibilidade de recursos humanos
para o desempenho operacional das ações. Os resultados indicam que a reorganização do processo
de trabalho, mediante a utilização de equipes dedicadas exclusivamente à vacinação, promove
importante incremento da produtividade das ações de imunização, sugerindo que modelos
organizacionais que reduzam a competição entre a vacinação e outras demandas assistenciais da
APS podem contribuir para o fortalecimento dos programas de imunização e para a recuperação das
coberturas vacinais em territórios urbanos de elevada complexidade.
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