Protagonismo do enfermeiro na identificação precoce da sepse neonatal: relato de experiência em uma Unidade Neonatal
Saúde Reprodutiva, Parto, Puerpério e Nascimento
Resumo
Introdução
A sepse neonatal constitui uma importante causa de morbimortalidade, exigindo reconhecimento precoce e intervenção oportuna. Nesse contexto, o enfermeiro desempenha papel fundamental na identificação, por meio da avaliação sistemática e monitorização contínua do recém-nascido, considerando alterações nos parâmetros vitais, do estado clinico e comportamental. A identificação precoce dessas alterações e o acionamento oportuno da equipe multiprofissional são essenciais para reduzir o risco de agravamento clínico e contribuir para a segurança e a qualidade da assistência neonatal.
Objetivo
Demonstrar os avanços na atuação dos enfermeiros da Unidade Neonatal quanto ao reconhecimento precoce da sepse e à abertura oportuna e adequada do protocolo institucional.
Método
Trata-se de um relato de experiência sobre o aprimoramento do processo de identificação precoce da sepse neonatal. Após a revisão e os ajustes do protocolo institucional, foram realizados treinamentos com os enfermeiros, abordando os conceitos de sepse, as atribuições da enfermagem, os critérios para abertura do protocolo e a identificação do momento oportuno para seu acionamento.
Também foi reforçada a padronização da coleta de hemoculturas de dois sítios distintos, conforme indicação clínica e protocolo institucional. Adicionalmente, foram incorporadas discussões frequentes durante os rounds diários, com análise dos protocolos abertos, identificação de oportunidades de melhoria e alinhamento das condutas assistenciais.
Resultados
Após a implementação das ações de aprimoramento, observou-se aumento expressivo na abertura de protocolos de sepse neonatal, sugerindo a possibilidade de subnotificação anterior e evidenciando maior atenção dos enfermeiros à identificação de sinais clínicos sugestivos de infecção. Paralelamente, verificou-se maior assertividade na aplicação dos critérios institucionais, com aumento das aberturas adequadas e redução dos acionamentos equivocados e das oportunidades perdidas de abertura do protocolo.
As capacitações e as discussões sistemáticas durante os rounds diários favoreceram o desenvolvimento do raciocínio clínico dos enfermeiros, ampliando a compreensão sobre os critérios de abertura, a importância da identificação precoce e a necessidade de intervenções oportunas. A análise compartilhada dos casos também possibilitou reconhecer fragilidades nos processos, alinhar condutas e reforçar a padronização das práticas assistenciais, incluindo a coleta de hemoculturas conforme o protocolo institucional.
Ao longo do semestre, observou-se maior incorporação da temática de prevenção de infecções nas discussões da equipe, favorecendo a identificação e a implementação de oportunidades de melhoria. Esse processo foi acompanhado pela redução dos indicadores de infecção de corrente sanguínea na Unidade Neonatal, reforçando a importância da vigilância clínica, da educação permanente e do protagonismo do enfermeiro na segurança do recém-nascido.
De modo geral, a experiência evidenciou avanços na qualificação da avaliação clínica, na tomada de decisão e na utilização do protocolo institucional, fortalecendo a atuação do enfermeiro no reconhecimento precoce da sepse neonatal e na melhoria contínua da assistência.
Conclusão
O aprimoramento do protocolo institucional, associado à capacitação dos enfermeiros e à discussão sistemática dos casos, contribuiu para qualificar o reconhecimento precoce da sepse neonatal e tornar mais assertiva a abertura dos protocolos. A experiência reforça a importância da educação permanente, do acompanhamento dos indicadores e do envolvimento da equipe multiprofissional na melhoria contínua dos processos assistenciais e na segurança do recém-nascido.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Autor(s)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
