CICLOS DE MELHORIA CONTÍNUA E CLASSIFICAÇÃO DE ROBSON NA REDUÇÃO DE CESARIANAS EM MATERNIDADE PÚBLICA
Palavras-chave:
Melhoria contínua, Parto, CESÁREAResumo
Introdução
A cesariana sem indicação clínica expõe a mulher e o recém-nascido a riscos evitáveis. No Brasil, cerca de 55% dos nascimentos ocorrem por via cirúrgica, muito acima dos 10 a 15% considerados adequados pela Organização Mundial da Saúde. A Classificação de Robson estratifica as parturientes em dez grupos e identifica aqueles que mais contribuem para a taxa de cesariana. Associada ao ciclo Planejar-Executar-Verificar-Agir, converte o monitoramento em ações direcionadas. Na maternidade estudada, a taxa superava 50%, motivando ciclos sucessivos de melhoria contínua.
Objetivo
Analisar a evolução da taxa de cesariana e da contribuição dos grupos da Classificação de Robson ao longo de três ciclos de melhoria contínua em uma maternidade pública do município Rio de Janeiro, entre junho de 2024 e junho de 2026.
Métodos
Estudo transversal, analítico e quantitativo, com dados secundários do registro de nascimento retirados do Livro de Parto Web de uma maternidade pública (junho/2024 a junho/2026; 8.429 partos). Foram conduzidos três ciclos sucessivos, e a verificação de cada ciclo orientou o planejamento do seguinte:
1º ciclo – decisão clínica: identificação dos grupos de Robson predominantes, auditoria de prontuários, segunda opinião para indicar cesariana e round multiprofissional. A meta não foi atingida e a verificação revelou falhas de registro e de indução.
2º ciclo – indução e cuidado à gestante: qualificação do registro, reorganização das induções no centro de parto normal, orientação pela enfermagem obstétrica, ampliação da analgesia de parto e aproximação com a atenção primária.
3º ciclo – governança e dados: comissão institucional, dados padronizados, painel de indicadores e foco nos grupos 2 e 5.
Compararam-se três períodos (jun–dez/2024, 2025 e jan–jun/2026) pelo teste qui-quadrado (p < 0,05). Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 91483725.1.0000.5279; parecer 7.969.289).
Resultados
Após o 1º ciclo, a taxa global de cesariana caiu de 51,8% para 48,6% (p = 0,011), mesmo com aumento de 14% no volume mensal de partos. Aplicando a taxa inicial ao volume posterior, isso equivale a cerca de 200 cesarianas a menos em 18 meses. O parto vaginal tornou-se a via predominante, com 22% mais partos vaginais por mês (de 147 para 180) (Figura 1). A meta de 45% foi atingida em quatro meses, todos após o 1º ciclo. No grupo-alvo de nulíparas induzidas (2a), a taxa de cesariana caiu de 27,7% para 17,9%, uma redução relativa de 35% (p = 0,006), o que equivale a cerca de 65 cesarianas a menos. A estratificação mostrou ainda que a cesariana antes do trabalho de parto em nulíparas (2b) e a cesárea anterior (grupo 5) concentram 60% das cesarianas, o que definiu o alvo do 3º ciclo (Tabela 1).
Conclusão
A condução sequencial de três ciclos de melhoria contínua, em que os achados de cada verificação redirecionaram o ciclo seguinte, associou-se à redução da taxa de cesariana e à maior efetividade da indução do trabalho de parto em nulíparas. A Classificação de Robson mostrou-se essencial para direcionar as ações, evidenciando a cesariana antes do trabalho de parto em nulíparas e a cesárea anterior como prioridades atuais. A meta de 45% ainda não foi sustentada, o que reforça a gestão contínua, a qualidade dos registros e a articulação com a rede de atenção ao pré-natal.
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