Extinção de Luvas Vinílicas em Unidades Públicas de Saúde

Autores

  • Murilo Viana de Castro Souza Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim - CEJAM, Sustentabilidade, São Paulo - CEJAM
  • Everton Tumilheiro Rafael
  • Wagner Bezerra Barreto
  • Michele Santos de Assunção
  • Alan Victor Araújo Silva
  • Darlene da Silva Alencar

Palavras-chave:

Luvas de procedimento, Compras sustentáveis, Policloreto de vinila (PVC), Luva nitrílica, Poluição plástica

Resumo

O policloreto de vinila (PVC/vinil) é um dos plásticos mais tóxicos na assistência à saúde devido à associação com compostos carcinogênicos, desreguladores endócrinos como ftalatos e à emissão de dioxinas, além de apresentar menor elasticidade, baixa barreira biológica e elevada taxa de ruptura no uso assistencial. Alinhado às diretrizes da Saúde Sem Dano e à Carta de Compromisso de Combate à Poluição Plástica do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (CEJAM), o projeto teve como objetivo extinguir o uso de luvas de procedimento vinílicas na rede de saúde gerenciada pela instituição no SUS, substituindo-as por luvas nitrílicas e de látex sem pó para eliminar a exposição a aditivos tóxicos, viabilizar a transição em escala e consolidar a substituição definitiva superando oscilações de abastecimento. Para isso, realizou-se um estudo de intervenção com análise longitudinal das aquisições corporativas entre 2024 e 2026, combinando a emissão de diretriz técnica conjunta proibindo o vinil (envolvendo SCIRAS, Compras e Responsabilidade Ambiental), a negociação de escala com fornecedores — que reduziu a diferença de preço do nitrilo frente ao vinil de aproximadamente 30% para cerca de 10% —, o engajamento do Comitê de Padronização e o monitoramento trimestral via sistema de gestão. Nos resultados, em 2024 o vinil representava 5,19% das aquisições (1,03 milhão de unidades). Apesar do pico temporário no segundo e terceiro trimestres de 2025 decorrente da incorporação de novas unidades no Rio de Janeiro (com picos de 82,41% e 67,03% em vinil), o alinhamento das equipes levou ao ponto de inflexão no quarto trimestre de 2025, no qual a luva nitrílica alcançou 98,80% das compras (27,33 milhões de unidades) e o vinil caiu para 0,86%. Em 2026, a liderança do nitrilo consolidou-se (96,23% no primeiro trimestre, 97,70% no segundo trimestre e 92,08% no terceiro trimestre), marginalizando o vinil a níveis residuais voltados unicamente a exceções alérgicas atestadas. A iniciativa comprovou que a governança integrada e a negociação corporativa de escala permitem eliminar o PVC da assistência e elevar os padrões de biossegurança sem gerar impacto orçamentário negativo no SUS, estabelecendo um modelo replicável de compras públicas sustentáveis.

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Publicado

2026-10-01

Como Citar

Souza, M. V. de C., Rafael, E. T., Barreto, W. B., Assunção, M. S. de, Silva, A. V. A., & Alencar, D. da S. (2026). Extinção de Luvas Vinílicas em Unidades Públicas de Saúde. Anais De Eventos Científicos CEJAM, 1(12). Recuperado de https://evento.cejam.org.br/index.php/AECC/article/view/1554

Edição

Seção

e-Pôster|Gestão| E7. Sustentabilidade e Ética em Saúde

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