MODELO DE GOVERNANÇA ORGANIZACIONAL INCLUSIVA EM EQUIPES MULTIPROFISSIONAIS DE UM PRONTO-SOCORRO PÚBLICO

Autores

Palavras-chave:

governança em saúde, Cultura Organizacional, gestão em saúde, Segurança do Paciente, trabalho interpessoal

Resumo

Resumo

Introdução: A crescente diversidade de vínculos contratuais nos serviços públicos de saúde representa um desafio para a integração das equipes multiprofissionais, a comunicação institucional e os processos de governança. Em organizações administradas por Organizações Sociais de Saúde, a coexistência de empregados celetistas, profissionais contratados como pessoas jurídicas, colaboradores terceirizados e outros prestadores de serviços exige estratégias capazes de fortalecer o alinhamento institucional, a participação multiprofissional e a corresponsabilização pela qualidade assistencial e segurança do paciente.

Objetivo: Relatar a experiência de implantação de um modelo de governança organizacional inclusiva destinado a integrar profissionais com diferentes vínculos contratuais aos processos formais de governança de um pronto-socorro público.

Método: Relato de experiência elaborado conforme as recomendações do Standards for Quality Improvement Reporting Excellence (SQUIRE 2.0), desenvolvido entre maio de 2025 e maio de 2026 em um pronto-socorro público de porta aberta administrado por uma Organização Social de Saúde. O modelo foi fundamentado em princípios de governança clínica, liderança participativa, cultura organizacional, gestão baseada em evidências e melhoria contínua. As estratégias contemplaram a inclusão de profissionais de diferentes vínculos nos Safety Huddles, Comitê Executivo, reuniões de resultados, visitas multidisciplinares, comissões institucionais, treinamentos locais e ações permanentes de alinhamento organizacional e reconhecimento institucional.

Resultados: A implantação do modelo possibilitou a incorporação sistemática de profissionais com diferentes modalidades de contratação aos principais espaços de comunicação, tomada de decisão, monitoramento de indicadores e desenvolvimento institucional. A experiência permitiu estruturar um modelo conceitual composto por quatro componentes interdependentes: governança participativa, alinhamento institucional, desenvolvimento organizacional e integração com reconhecimento profissional. Observou-se fortalecimento da comunicação transversal, ampliação da participação multiprofissional, maior corresponsabilização pelos resultados institucionais e consolidação de uma cultura organizacional orientada à qualidade e à segurança do paciente, reduzindo barreiras tradicionalmente associadas à fragmentação decorrente dos diferentes vínculos profissionais.

Conclusão: O modelo de governança organizacional inclusiva mostrou-se uma estratégia gerencial viável para integrar profissionais com diferentes vínculos contratuais aos processos formais de governança institucional. A experiência demonstra que a participação ativa de todos os profissionais envolvidos na produção do cuidado pode fortalecer a cultura organizacional, a governança clínica, a qualidade assistencial e a segurança do paciente, apresentando potencial de adaptação para outras organizações de saúde que operam com estruturas híbridas de contratação.

Palavras-chave: Governança em Saúde; Cultura Organizacional; Gestão em Saúde; Segurança do Paciente; Trabalho Interprofissional.

 

 

 

Referências

  1. Ogrinc G, Davies L, Goodman D, Batalden P, Davidoff F, Stevens D. SQUIRE 2.0 (Standards for Quality Improvement Reporting Excellence): revised publication guidelines from a detailed consensus process. BMJ Qual Saf. 2016;25(12):986-992.
  2. World Health Organization. Global Patient Safety Action Plan 2021–2030: Towards Eliminating Avoidable Harm in Health Care. Geneva: WHO; 2021.
  3. Schein EH, Schein PA. Organizational Culture and Leadership. 5th ed. Hoboken: Wiley; 2024.
  4. Edmondson AC. The Fearless Organization: Creating Psychological Safety in the Workplace for Learning, Innovation, and Growth. Hoboken: Wiley; 2019.
  5. Finn M, Walsh A, Rafter N, et al. Effect of interventions to improve safety culture on healthcare workers in hospital settings: a systematic review of the international literature. BMJ Open Qual. 2024;13(2):e002506.
  6. Joint Commission International. Leading a Culture of Safety: A Blueprint for Success. 2nd ed. Oakbrook Terrace: JCI; 2023.
  7. Reeves S, Pelone F, Harrison R, Goldman J, Zwarenstein M. Interprofessional collaboration to improve professional practice and healthcare outcomes. Cochrane Database Syst Rev. 2017;(6):CD000072.
  8. World Health Organization. Health and Care Workforce in Europe: Time to Act. Copenhagen: WHO Regional Office for Europe; 2022.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Eduardo Luna de Oliveira Torres, Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (CEJAM), Pronto Socorro Arnaldo de Figueiredo Freitas - Barueri

Médico (CRM SP 184363) especialista em Medicina de Família e Comunidade (RQE 103896), com MBA em Gestão em Saúde e mestrando em Gestão para a Competitividade pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Atua na direção técnica e administrativa de serviços públicos de saúde sob o modelo de Organizações Sociais de Saúde (OSS), com experiência em governança clínica, qualidade assistencial, segurança do paciente, transformação organizacional, acreditação em saúde e gestão baseada em evidências. Desenvolve pesquisas em gestão em saúde, com ênfase na coordenação do cuidado, integração das Redes de Atenção à Saúde, governança clínica, inovação organizacional, sustentabilidade e melhoria da qualidade no Sistema Único de Saúde

Downloads

Publicado

2026-07-28

Como Citar

Torres, E. L. de O. (2026). MODELO DE GOVERNANÇA ORGANIZACIONAL INCLUSIVA EM EQUIPES MULTIPROFISSIONAIS DE UM PRONTO-SOCORRO PÚBLICO. Anais De Eventos Científicos CEJAM, 1(12). Recuperado de https://evento.cejam.org.br/index.php/AECC/article/view/1015

Edição

Seção

e-Pôster|Gestão| E11. Qualidade, Processos e Governança em Saúde