GESTÃO DE RISCOS E BARREIRAS DE SEGURANÇA

NA UTILIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS DE ALTA VIGILÂNCIA

Autores

  • Sebastião Neto CEJAM

Palavras-chave:

Palavras-chave: Medicamentos de Alta Vigilância; Segurança do Paciente; Sistema SISS; Manual Farmacêutico; Gestão de Riscos.

Resumo

GESTÃO DE RISCOS E BARREIRAS DE SEGURANÇA NA UTILIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS DE ALTA VIGILÂNCIA

Palloma Alba Velame da Silva, Sebastião Domingos Soares Neto

Farmacêutico, Responsável Técnico da Farmácia - CEJAM, Pronto-Socorro Arnaldo de Figueiredo Freitas, Barueri/SP.

RESUMO

Os Medicamentos de Alta Vigilância (MAV) ou Potencialmente Perigosos apresentam risco elevado de provocar danos graves ou fatais aos pacientes quando ocorrem falhas em sua utilização. O objetivo deste trabalho é descrever a implementação de um conjunto integrado de barreiras de segurança para a gestão de riscos de MAV em um pronto-socorro de alta complexidade. A metodologia baseou-se em um estudo descritivo de intervenção focado em quatro pilares principais: identificação visual com etiquetas vermelhas no processo de unitarização; parametrização de alertas no Sistema de Informação para Serviços de Saúde (SISS); fixação de listas institucionais de MAV nos setores assistenciais; e elaboração do Manual Farmacêutico. Os resultados demonstraram o fortalecimento da cultura de segurança, aumento da eficácia da dupla conferência, redução de falhas de prescrição e dispensação, e maior agilidade no acesso a informações críticas de diluição e administração. Conclui-se que a combinação de barreiras físicas, tecnológicas e educacionais consolida a gestão de riscos na Farmácia Hospitalar e assegura a assistência ao paciente.

 

INTRODUÇÃO

A segurança no uso de medicamentos é um dos eixos prioritários da gestão da qualidade nos serviços de saúde. Dentre as diversas classes terapêuticas padronizadas em um ambiente hospitalar, os Medicamentos de Alta Vigilância (MAV) exigem atenção especial. Embora os erros envolvendo MAV não sejam necessariamente mais frequentes do que aqueles com outros fármacos, suas consequências tendem a ser devastadoras, podendo causar sequelas irreversíveis ou óbito (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2023).

Em unidades de pronto-socorro e emergência, o ambiente caracterizado pela alta rotatividade, decisões rápidas e atendimento a pacientes críticos potencializa a vulnerabilidade a falhas. A legislação sanitária brasileira, por meio da Resolução RDC nº 36/2013 da ANVISA, determina a obrigatoriedade de estratégias específicas para a prevenção de erros na prescrição, dispensação e administração de MAV (BRASIL, 2013).

Para mitigar esses riscos, é necessário ir além do cuidado individual e instituir barreiras sistêmicas de segurança. No Pronto-Socorro Arnaldo de Figueiredo Freitas, sob gestão do CEJAM em Barueri/SP, estruturou-se uma estratégia multifacetada que combina sinalização cromática em cor vermelha, integração no sistema SISS, listas normativas nos setores assistenciais e suporte técnico via Manual Farmacêutico (ISMP, 2023).

OBJETIVO

Descrever a implementação de barreiras de segurança e ferramentas de gestão de riscos na cadeia de utilização de Medicamentos de Alta Vigilância em um Pronto-Socorro, avaliando suas contribuições para a prevenção de incidentes e fortalecimento da assistência multiprofissional.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo e aplicado, do tipo relato de experiência, sobre a padronização das rotinas de gestão de MAV no Pronto-Socorro Arnaldo de Figueiredo Freitas (CEJAM, Barueri/SP). A intervenção estruturou-se em quatro eixos operacionais:

  1. Sinalização Cromática e Etiquetas Vermelhas: Padronização da aplicação de etiquetas térmicas de cor vermelha vibrante na central de unitarização para todas as ampolas, frascos e blisteres de MAV, além da identificação das caixas e gavetas de armazenamento na farmácia e nos carrinhos de emergência.
  2. Parametrização Eletrônica no Sistema SISS: Configuração do software SISS para inclusão de alertas visuais e bloqueios de segurança durante os processos de prescrição médica, validação farmacêutica e dispensação de itens classificados como MAV.
  3. Disponibilização de Listas de MAV nos Setores Assistenciais: Elaboração e fixação de quadros informativos plastificados contendo a Lista Institucional Atualizada de MAV nas salas de medicação, setores de emergência, observação e postos de enfermagem.
  4. Elaboração e Difusão do Manual Farmacêutico: Desenvolvimento de um guia de consulta rápida contendo informações cruciais sobre MAV (dosagens máximas, vias de administração, diluentes compatíveis, velocidade de infusão, estabilidade e necessidade de dupla conferência independente).

DESENVOLVIMENTO

A gestão de riscos aplicada aos MAV fundamenta-se no princípio das barreiras em camada. A utilização da cor vermelha na unitarização atua como um estímulo visual pré-atencional, alertando os profissionais de enfermagem sobre a necessidade de atenção redobrada antes do preparo da medicação.

A integração no sistema SISS garante que, no momento do ato médico e da dispensação farmacêutica, o sistema exiba avisos de confirmação de dose e lembretes de dupla checagem. Complementarmente, a presença física da lista de MAV nos setores garante clareza sobre o rol de medicamentos de alto risco, enquanto o Manual Farmacêutico subsidia decisões clínicas rápidas e precisas à beira-leito, preenchendo lacunas de dúvida técnica sobre diluição e administração.

RESULTADOS

A implementação combinada das barreiras de segurança promoveu avanços expressivos na rotina do pronto-socorro e na farmácia hospitalar:

  • Eliminação de Erros de Troca Visual: A etiqueta vermelha destacou os MAVs frente às demais ampolas de aspecto similar, reduzindo drasticamente o risco de troca por desatenção.
  • Segurança na Prescrição e Dispensação via SISS: A emissão de alertas no sistema informatizado reduziu a ocorrência de erros de dosagem, vias inadequadas e prescrição duplicada de MAVs.
  • Agilidade no Acesso à Informação: O Manual Farmacêutico e as listas fixadas nos setores reduziram o tempo de dúvida das equipes de enfermagem em relação à compatibilidade, diluição e tempo de infusão de drogas vasoativas, sedativos e eletrólitos concentrados.
  • Sistematização da Dupla Conferência: Maior adesão da equipe de enfermagem ao protocolo de dupla conferência independente (dois profissionais checando paciente, fármaco, dose e via) para itens com etiqueta vermelha.
  • Conformidade Regulatória: Alinhamento total do serviço aos requisitos das metas internacionais de segurança do paciente e da RDC nº 36/2013 da ANVISA.

DISCUSSÃO

Os resultados obtidos demonstram a eficácia da engenharia de fatores humanos e da gestão de riscos aplicada à saúde, conforme preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Institute for Safe Medication Practices (ISMP). A simples recomendação de "prestar atenção" é ineficaz para prevenir erros com MAV em ambientes sob alta pressão, como prontos-socorros.

A introdução de barreiras físicas (etiquetas vermelhas), tecnológicas (alertas no SISS) e consultivas (Manual Farmacêutico e listas nos setores) cria uma rede de proteção redundante. Assim, caso uma falha passe por uma etapa do processo, ela é interceptada pela barreira subsequente antes de atingir o paciente.

CONCLUSÃO

A gestão de riscos e a implementação de barreiras de segurança para Medicamentos de Alta Vigilância no Pronto-Socorro Arnaldo de Figueiredo Freitas demonstraram ser estratégias altamente efetivas na prevenção de incidentes hospitalares.

A união entre a identificação por etiquetas vermelhas, os alertas no sistema SISS, as listas visíveis nos setores e a elaboração do Manual Farmacêutico fortaleceu os processos de trabalho e a atuação multiprofissional. Recomenda-se a continuidade das capacitações e a auditoria periódica dos processos para manutenção dos elevados padrões de segurança alcançados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde. Brasília, DF: ANVISA, 2013.

CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA (CFF). Resolução nº 675, de 31 de outubro de 2019. Regulamenta as atribuições do farmacêutico na farmácia hospitalar. Brasília: CFF, 2019.

INSTITUTE FOR SAFE MEDICATION PRACTICES (ISMP). Medicamentos de Alta Vigilância / Potencialmente Perigosos: Listas e Barreiras de Segurança. Horsham: ISMP, 2023.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Global Patient Safety Action Plan 2021–2030: Towards eliminating avoidable harm in health care. Geneva: World Health Organization, 2023.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Downloads

Publicado

2026-10-02

Como Citar

Neto, S. (2026). GESTÃO DE RISCOS E BARREIRAS DE SEGURANÇA : NA UTILIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS DE ALTA VIGILÂNCIA. Anais De Eventos Científicos CEJAM, 1(12). Recuperado de https://evento.cejam.org.br/index.php/AECC/article/view/1403

Edição

Seção

e-Pôster|Gestão| E11. Qualidade, Processos e Governança em Saúde