OTIMIZAÇÃO DE SOLICITAÇÕES DE UROCULTURA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Palavras-chave:
Qualidade em Saúde, Governança Clínica, Prevenção Quaternária, Segurança do PacienteResumo
A solicitação inadvertida de uroculturas em pacientes assintomáticos acarreta o sobrediagnóstico de bacteriúria assintomática (BA), resultando no uso indevido de antibióticos, riscos à segurança do paciente e custos desnecessários ao sistema de saúde. Este estudo objetivou avaliar o impacto de uma capacitação técnica baseada nos princípios da Prevenção Quaternária e Governança Clínica na racionalização das solicitações de urocultura entre médicos e enfermeiros na UBS Santa Lúcia (CEJAM/SMS-SP). Trata-se de um relato de experiência de uma intervenção educativa realizada em maio de 2025 pela Responsabilidade Técnica Médica, alinhando critérios diagnósticos entre BA e infecção urinária sintomática, populações com indicação formal de rastreio (ex.: gestantes) e os riscos da resistência antimicrobiana. O acompanhamento foi realizado por meio de dados secundários agregados do laboratório institucional, analisando o volume mensal de exames entre março de 2025 e agosto de 2026 (18 meses). Nos três meses pré-intervenção, a média observada foi de 364 solicitações/mês. Imediatamente após a intervenção, houve uma redução sustentada de 65,5% nas solicitações, estabilizando a média em ~152 exames/mês ao longo de 15 meses de acompanhamento, com economia financeira direta estimada em aproximadamente R$ 1.400,00 mensais. Conclui-se que a educação permanente pautada na Prevenção Quaternária qualificou a prática clínica, preveniu tratamentos desnecessários e garantiu o uso racional e sustentável dos recursos públicos na Atenção Primária à Saúde.
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