ENTRE O DIREITO À SAÚDE E OS LIMITES PLANETÁRIOS: SUSTENTABILIDADE EM SERVIÇOS PÚBLICOS DE URGÊNCIA
Palavras-chave:
sustentabilidade, gestão em saúde, serviços médicos de emergência, sistema único de saúde, economia donutResumo
ENTRE O DIREITO À SAÚDE E OS LIMITES PLANETÁRIOS: SUSTENTABILIDADE EM SERVIÇOS PÚBLICOS DE URGÊNCIA
Introdução
Os serviços públicos de urgência e emergência convivem diariamente com a necessidade de garantir o acesso universal à saúde em um contexto de recursos financeiros, humanos, tecnológicos e ambientais limitados. Embora iniciativas relacionadas à ecoeficiência, gestão de resíduos, eficiência energética e racionalização do consumo sejam cada vez mais frequentes, essas estratégias, isoladamente, não contemplam as tensões estruturais entre o direito constitucional à saúde e os limites ecológicos e operacionais dos sistemas públicos. Nesse contexto, torna-se necessária uma abordagem integrada capaz de incorporar sustentabilidade ambiental, sustentabilidade econômico-financeira, governança e capacidade operacional à gestão dos serviços de urgência.
Objetivo
Descrever a experiência de construção de um modelo conceitual de sustentabilidade aplicado à gestão de um pronto-socorro público, fundamentado na Economia Donut, na economia ecológica e nas transições para a sustentabilidade, visando apoiar a tomada de decisão em serviços públicos de urgência.
Método
Relato de experiência referente ao desenvolvimento de um modelo conceitual construído a partir da integração entre referenciais da Economia Donut, economia ecológica, transições para a sustentabilidade e gestão em saúde, articulados à experiência de gestão de um pronto-socorro público municipal integrante da Rede de Atenção às Urgências do Sistema Único de Saúde. O processo contemplou análise crítica da literatura, identificação das principais tensões organizacionais relacionadas à sustentabilidade e sistematização das práticas institucionais voltadas à eficiência energética, gestão de resíduos, racionalização de recursos, transformação digital e sustentabilidade financeira, culminando na elaboração de um modelo organizacional orientado para a gestão integrada dessas dimensões.
Resultados
O principal produto da experiência foi o desenvolvimento de um modelo conceitual de sustentabilidade para serviços públicos de urgência, estruturado em quatro dimensões interdependentes: garantia da base social do cuidado, respeito aos limites ecológicos, sustentabilidade econômico-financeira e capacidade operacional do sistema. O modelo integra práticas organizacionais relacionadas à governança, transformação digital, eficiência energética, gestão de resíduos, racionalização de recursos e melhoria contínua, propondo que a sustentabilidade seja compreendida como um processo permanente de equilíbrio entre o direito universal à saúde e os limites ambientais, financeiros e operacionais. A estrutura desenvolvida oferece um referencial para planejamento, governança e avaliação de desempenho, com potencial de adaptação para outros serviços públicos de saúde.
Conclusão
O modelo proposto amplia a compreensão da sustentabilidade na gestão dos serviços públicos de urgência ao superar abordagens restritas à ecoeficiência e incorporar a gestão das tensões entre acesso universal e recursos limitados. Além de contribuir para o fortalecimento da governança e da tomada de decisão baseada em evidências, apresenta potencial de replicação em diferentes serviços do Sistema Único de Saúde, favorecendo estratégias organizacionais mais resilientes e alinhadas aos desafios contemporâneos da gestão do cuidado.
Palavras-chave
Sustentabilidade; Gestão em Saúde; Serviços Médicos de Emergência; Sistema Único de Saúde; Economia Donut.
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