INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM COMUNICAÇÕES CRÍTICAS NO PRONTO-SOCORRO

Autores

  • Brenda Do Nascimento Lima Lima PROREHOSP Hospital Municipal do Campo Limpo Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha – São Paulo
  • Evelyn Cristina Silva Dos Santos Santos PROREHOSP Hospital Municipal do Campo Limpo Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha – São Paulo
  • Lilian Elizabeth Cassia Leite Leite PROREHOSP Hospital Municipal do Campo Limpo Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha – São Paulo
  • Amanda Priscila Dias Scopigno Scopigno PROREHOSP Hospital Municipal do Campo Limpo Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha – São Paulo

Palavras-chave:

Cuidados Paliativos; Comunicação em Saúde; Fim de Vida; Psicologia; Família; Emergência.

Resumo

INTRODUÇÃO

Os cuidados paliativos constituem uma abordagem multiprofissional voltada à promoção da qualidade de vida e ao alívio do sofrimento de pacientes com doenças ameaçadoras da vida e de seus familiares. No pronto-socorro, a finitude frequentemente se apresenta de forma inesperada, exigindo decisões rápidas e a comunicação de notícias difíceis, como prognóstico reservado, limitação ou retirada de suporte, extubação paliativa e óbito. Nesse contexto, a comunicação ultrapassa a transmissão de informações clínicas, envolvendo aspectos emocionais, relacionais e éticos. A Psicologia atua no acolhimento e na escuta qualificada, favorecendo a compreensão das informações, a expressão emocional e a elaboração diante da finitude.

OBJETIVO

Relatar e analisar a experiência da intervenção psicológica no acolhimento de familiares e na qualificação da comunicação diante de situações relacionadas ao fim da vida no contexto de um pronto-socorro hospitalar.

MÉTODO

Trata-se de um relato de experiência, de caráter descritivo e reflexivo, acerca da atuação da Psicologia Hospitalar em um pronto-socorro de um hospital terciário de alta complexidade, em consonância com o protocolo institucional de cuidados paliativos.

A experiência foi construída a partir da prática assistencial e de discussões de casos com a equipe multiprofissional, contemplando situações de comunicação de prognóstico reservado, decisão por extubação paliativa, limitação ou retirada de suporte avançado de vida e comunicação de óbito.

As intervenções psicológicas envolveram acolhimento, escuta qualificada, suporte emocional antes e após reuniões familiares, facilitação da comunicação entre equipe e família e acompanhamento das reações diante da perda iminente ou do óbito. Foram observados os princípios éticos da atuação profissional e o sigilo, com preservação da identidade dos pacientes, familiares e profissionais envolvidos.

RESULTADOS

A experiência evidenciou que situações relacionadas ao fim da vida no pronto-socorro mobilizam intenso sofrimento emocional, insegurança, dúvidas e dificuldades na compreensão do prognóstico e dos objetivos terapêuticos. Diante de comunicações de óbito, prognóstico reservado, limitação ou retirada de suporte e extubação paliativa, observou-se que a transmissão das informações clínicas, embora necessária, não contemplava isoladamente as demandas emocionais e relacionais apresentadas pelos familiares.

Nesse contexto, a atuação da Psicologia mostrou-se relevante no acolhimento das manifestações emocionais, na identificação das necessidades singulares de cada família e na oferta de um espaço protegido para expressão de dúvidas, sentimentos, preocupações e expectativas. A intervenção possibilitou acompanhar diferentes formas e tempos de elaboração diante da finitude, incluindo manifestações de luto antecipatório e de luto agudo após o óbito, respeitando os recursos subjetivos e as particularidades de cada núcleo familiar.

A articulação com a equipe multiprofissional favoreceu maior integração no processo de comunicação, contribuindo para que as informações sobre o quadro clínico, o prognóstico e os objetivos do cuidado pudessem ser retomadas e elaboradas de acordo com as necessidades dos familiares. A presença da Psicologia nos momentos de comunicação crítica também possibilitou maior atenção aos aspectos emocionais que atravessavam a compreensão das informações e a participação da família nas decisões relacionadas ao cuidado.

Observou-se, portanto, que a intervenção psicológica esteve presente em diferentes momentos do processo de cuidado, desde a comunicação de situações de gravidade e possibilidade de morte até o acompanhamento das reações diante do óbito, sustentando espaços de escuta e elaboração conforme as necessidades apresentadas por cada família.

CONCLUSÃO

A experiência evidencia que a comunicação diante da finitude é uma dimensão fundamental do cuidado no pronto-socorro. A atuação da Psicologia, integrada à equipe multiprofissional, contribui para acolher o sofrimento, favorecer a elaboração das informações e qualificar o diálogo entre família e equipe. Dessa forma, possibilita uma assistência mais humanizada, considerando a singularidade e as necessidades de cada família diante da finitude.

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Publicado

2026-09-22

Como Citar

Lima, B. D. N. L., Santos, E. C. S. D. S., Leite, L. E. C. L., & Scopigno, A. P. D. S. (2026). INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM COMUNICAÇÕES CRÍTICAS NO PRONTO-SOCORRO. Anais De Eventos Científicos CEJAM, 1(12). Recuperado de https://evento.cejam.org.br/index.php/AECC/article/view/1169

Edição

Seção

e-Pôster|Assistência| E12. Reabilitação e Cuidados Paliativos