ODONTOLOGIA HOSPITALAR NA UTI: CONTRIBUIÇÕES DA LASERTERAPIA DE BAIXA POTÊNCIA PARA O CUIDADO INTEGRAL
Resumo
Introdução
O cuidado integral ao paciente exige uma abordagem multidisciplinar incluindo a saúde bucal. A associação entre a Odontologia Hospitalar e a laserterapia de baixa potência constitui uma abordagem terapêutica complementar no cuidado ao paciente que pode contribuir para a promoção da saúde bucal, a recuperação clínica e a qualidade de vida dos pacientes. A laserterapia de baixa potência é capaz de promover efeitos fotobiomoduladores, como a modulação da resposta inflamatória, alívio da dor, potencialização dos processos de reparo, cicatrização tecidual e ação antimicrobiana.
Objetivo
Realizar uma revisão da literatura acerca da utilização da laserterapia em pacientes internados em unidade de terapia intensiva (UTI), para analisar as evidências disponíveis quanto à sua efetividade e segurança, bem como identificar os potenciais benefícios dessa intervenção no manejo e na recuperação dos pacientes
Metodologia
O estudo foi realizado na Unidade de Terapia Intensiva II do Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha, composta por 27 leitos. A equipe de Odontologia Hospitalar do PROREHOSP – Campo Limpo (CEJAM) realiza avaliação odontológica diária dos pacientes internados, para identificar alterações buco dentárias e indicar intervenções preventivas ou terapêuticas.
Entre setembro de 2025 a agosto de 2026, foram realizados 589 procedimentos com laserterapia no pós-operatório de exodontias para controle da dor e inflamação, em lesões traumáticas, otimização da cicatrização e no manejo de candidíase oral e/ou lesões herpeticas por meio de terapia fotodinâmica antimicrobiana (PDT). Nesta última modalidade, utiliza-se laser de baixa potência associado ao azul de metileno como fotossensibilizador, com o objetivo de promover ação antimicrobiana e favorecer a reparação das lesões.
Resultados
Com base na experiência clínica e na literatura científica consultada, foram observados resultados favoráveis na evolução das lesões após a intervenção:
- Redução significativa da dor e do desconfortoassociados às lesões traumáticas e ulceradas
- Redução do número e do tamanho das lesões herpéticasnas primeiras 48 horas após a realização da primeira sessão;
- Cicatrização completa das lesõesem aproximadamente sete dias;
- Melhora da qualidade de vida do paciente, especialmente quanto à alimentação, ao conforto e ao descanso.
- Melhora do processo de reparo tecidual após exodontias, com evolução clínica favorável da cicatrização do sítio cirúrgico;
A experiência clínica, associada aos achados descritos na literatura, sugere que a laserterapia de baixa intensidade pode atuar como recurso adjuvante no controle da dor e no processo de reparo tecidual, tanto no manejo das lesões ulceradas, herpéticas e traumáticas quanto na recuperação pós-operatória de exodontias. Assim, permite também melhor alimentação e qualidade de vida ao paciente.
A laserterapia é um protocolo seguro, não invasivo e de baixo custo, com resultados rápidos e eficazes.
Os resultados observados reforçam seu potencial como estratégia complementar na prática odontológica em ambiente hospitalar.
Conclusão
Os achados descritos na literatura e a experiência clínica apontam para benefícios relacionados à redução da dor e do desconforto, à aceleração do processo de cicatrização e à melhora da qualidade de vida:
- redução da necessidade de intervenções medicamentosas e, potencialmente, do tempo de
recuperação, aspectos que podem favorecer a otimização dos recursos em saúde;
- a equipe de Odontologia Hospitalar desempenha papel fundamental no cuidado integral do paciente crítico, atuando na prevenção e no tratamento de alterações e doenças.
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