PROCESSO DE DECANULAÇÃO DA TRAQUEOSTOMIA EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA

Integração entre Fonoaudiologia e equipe multidisciplinar

Autores

  • LUIZ CLAUDIO FERREIRA DE OLIVEIRA OLIVEIRA PROREHOSP HOSPITAL MUNICIPAL DR. FERNANDO MAURO PIRES DA ROCHA - São Paulo
  • AMANDA PRISCILA DIAS SCOPIGNO SCOPIGNO PROREHOSP HOSPITAL MUNICIPAL DR. FERNANDO MAURO PIRES DA ROCHA - São Paulo

Resumo

Introdução: A decanulação no ambiente de UTI deve ser entendida como um processo multidisciplinar, e não apenas como a retirada física da cânula. A literatura evidencia que o processo de decanulação envolve diferentes áreas profissionais. A atuação integrada permite considerar diferentes dimensões do quadro clínico, favorecendo tomada de decisão conjunta baseada nas condições individuais do paciente e nos critérios de segurança estabelecidos pela equipe. Objetivo: Realizar uma revisão da literatura acerca da integração entre Fonoaudiologia e equipe multidisciplinar no processo de decanulação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), visando analisar as evidências disponíveis quanto à sua efetividade e segurança, bem como identificar os potenciais benefícios dessa intervenção precoce, no manejo e na reabilitação de pacientes críticos. Métodos: Trata-se de uma revisão de literatura, de caráter descritivo e abordagem qualitativa, desenvolvida com o propósito de reunir, analisar e sintetizar as evidências científicas disponíveis acerca da atuação multidisciplinar no processo de decanulação de pacientes traqueostomizados internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A pesquisa bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Foram utilizados descritores identificados nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), relacionados aos termos: traqueostomia (tracheostomy), decanulação (decannulation), unidade de terapia intensiva (intensive care unit) e equipe multidisciplinar (multidisciplinary team). Os critérios de inclusão foram: artigos publicados entre 2016 e 2026, disponíveis nos idiomas português ou inglês e realizados com pacientes adultos traqueostomizados internados em unidades de terapia intensiva. Os critérios de exclusão foram: artigos que não disponibilizavam acesso ao texto completo. Resultados: É importante destacar que não existe um único parâmetro capaz de determinar sozinho que o paciente está pronto para a decanulação. A revisão de literatura aponta justamente para a necessidade de combinar avaliação do nível de consciência com outras funções essenciais, como respiração, deglutição e tosse. Dessa forma, a fisioterapia concentra-se principalmente na função respiratória, tosse e secreções; a fonoaudiologia, na deglutição, alimentação via oral, proteção de via aérea e comunicação; a enfermagem, no cuidado contínuo e monitorização; e o médico, na avaliação clínica global e decisão terapêutica, como a retirada do dispositivo invasivo. As etapas da decanulação mais citadas foram: avaliação da deglutição; treino de oclusão; avaliação da permeabilidade de via aérea; habilidade de manipulação de secreção; troca de cânula; desinsuflação do cuff; tosse; e uso de válvula de fala. Evidências científicas indicam associação entre a implementação de equipes interprofissionais e a redução do tempo mediano até a decanulação, além de redução de eventos adversos e do tempo de internação hospitalar em alguns estudos. Entretanto, os autores ressaltam que grande parte das evidências provêm de estudos de coorte, portanto a qualidade global da evidência apresenta limitações devido ao longo tempo de duração e o alto custo financeiro. Conclusão: A intervenção multidisciplinar no processo de decanulação dentro da UTI busca garantir que o paciente não apenas respire espontaneamente, mas seja capaz de proteger a via aérea, eliminar secreções e apresentar deglutição segura e eficiente para sua condição clínica antes mesmo da alta para a enfermaria. Portanto, os artigos sustentam que a decanulação deve ser vista como um processo gradual, individualizado, protocolizado e compartilhado pela equipe, e não como um procedimento isolado realizado por um único profissional visando tanto o bem estar do paciente como a efetividade do processo de reabilitação.












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Publicado

2026-10-01

Como Citar

OLIVEIRA, L. C. F. D. O., & SCOPIGNO, A. P. D. S. (2026). PROCESSO DE DECANULAÇÃO DA TRAQUEOSTOMIA EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: Integração entre Fonoaudiologia e equipe multidisciplinar. Anais De Eventos Científicos CEJAM, 1(12). Recuperado de https://evento.cejam.org.br/index.php/AECC/article/view/1301

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