GRUPO DE PSICOEDUCAÇÃO EM UMA ENFERMARIA DE SAÚDE MENTAL

Relato de experiência

Autores

  • Mariana Bonsaver Bonsaver PROREHOSP CAMPO LIMPO
  • Amanda Priscila Dias Scopigno PROREHOSP CAMPO LIMPO
  • Marcelo Andrade Lopes Lopes HMCL
  • Roberta Candal de Macedo Shibaki Souza Souza HMCL

Palavras-chave:

Saúde mental, Psicoeducação

Resumo

INTRODUÇÃO

Os transtornos mentais podem comprometer a autonomia, os vínculos sociais e a continuidade do cuidado. Em unidades de internação, intervenções psicoeducativas podem ampliar a compreensão do paciente sobre o adoecimento e o tratamento, além de favorecer a expressão de experiências e sua participação no processo terapêutico.

A psicoeducação integra recursos educativos e terapêuticos, oferecendo informações acessíveis sobre o adoecimento, o tratamento e as estratégias de enfrentamento. Também pode contribuir para o desenvolvimento da capacidade crítica, o fortalecimento da autonomia e a participação do paciente no cuidado (Bäuml et al., 2006; Lemes & Ondere Neto, 2017; Sarkhel et al., 2020).

OBJETIVO

Relatar a experiência de aplicação de um baralho terapêutico autoral em encontros de psicoeducação com pacientes internados em uma enfermaria desytinada a transtornos mentais graves e instáveis

MÉTODOS

Trata-se de um relato de experiência desenvolvido na enfermaria de Saúde Mental do Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha, unidade composta por 15 leitos destinados à internação de pacientes adultos com diferentes diagnósticos em saúde mental.

Entre 1º de julho e 16 de setembro de 2026, foram realizados 12 encontros, com duração aproximada de uma hora e participação voluntária dos pacientes internados. Foram registradas aproximadamente 60 participações, com média de cinco participantes por encontro. Como não houve registro individual destinado à pesquisa, não foi possível determinar o número de pacientes distintos que participaram da atividade.

A equipe de Psicologia e Psiquiatria elaborou o baralho terapêutico “Conhecer para cuidar”, composto por cartas ilustradas e desenvolvidas com linguagem acessível. Em cada encontro, os participantes sorteavam cartas contendo imagens e perguntas relacionadas a temas de saúde mental. A equipe mediava as discussões, incentivando a reflexão e a expressão de pensamentos, sentimentos e experiências associados aos temas apresentados.

As manifestações e interações observadas durante os encontros foram registradas pelos profissionais facilitadores em cadernos de anotações. A análise teve caráter descritivo e considerou as observações assistenciais registradas durante o período.

O trabalho foi elaborado a partir de anotações assistenciais registradas pela equipe durante os encontros, sem consulta a prontuários. O relato não apresenta dados individualizados, imagens dos participantes ou informações que permitam sua identificação.

RESULTADOS

Durante os encontros, a equipe observou participação espontânea, compartilhamento de experiências e interação entre os pacientes. As imagens e as perguntas presentes nas cartas facilitaram o início das conversas e a expressão de pensamentos e sentimentos relacionados ao adoecimento, à internação e ao processo de cuidado.

Também foram observadas manifestações de apoio mútuo e trocas de experiências entre os participantes, ampliando as possibilidades de interação para além das relações estabelecidas com a equipe de saúde e os familiares. As discussões permitiram abordar estratégias de enfrentamento, fatores de proteção e situações de risco relacionadas à saúde mental.

Entre os desafios identificados, destacou-se a necessidade de ampliar as temáticas e diversificar as atividades, especialmente para pacientes com maior tempo de internação, a fim de preservar o interesse e a participação nos encontros.

Como a experiência não utilizou instrumentos padronizados nem comparação antes e após a intervenção, não foi possível avaliar os efeitos da atividade sobre sintomas, adesão ao tratamento ou outros desfechos clínicos.

CONCLUSÃO

A experiência sugere que o baralho terapêutico pode funcionar como recurso facilitador em grupos de psicoeducação durante a internação psiquiátrica. Especialmente por trabalhar aspectos como a participação, protagonismo, autonomia, ressignificações sobre seu processo de adoecimento e percurso de tratamento. A condução dos grupos nos demonstrou sua potencialidade no desenvolvimento de estratégias de enfrentamento, em relação aos fatores precipitantes e perpetuantes de seus adoecimentos e promotores de sua saúde, caracterizando este dispositivo como uma ferramenta útil no contexto das enfermarias de quadros psiquiátricos agudos localizadas em hospitais gerais. 

A continuidade da proposta poderá incluir o registro individual não identificável dos participantes, indicadores estruturados de participação e aceitabilidade e instrumentos que permitam avaliar possíveis repercussões clínicas e assistenciais da intervenção.

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Publicado

2026-09-25

Como Citar

Bonsaver, M. B., Scopigno, A. P. D., Lopes, M. A. L., & Souza, R. C. de M. S. S. (2026). GRUPO DE PSICOEDUCAÇÃO EM UMA ENFERMARIA DE SAÚDE MENTAL: Relato de experiência. Anais De Eventos Científicos CEJAM, 1(12). Recuperado de https://evento.cejam.org.br/index.php/AECC/article/view/1191

Edição

Seção

e-Pôster|Assistência| E10. Saúde Mental e Humanização

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