CARACTERIZAÇÃO SOCIODEMOGRÁFICA E PREVALÊNCIA DOS NÍVEIS DE AMPUTAÇÃO E DAS ETIOLOGIAS DE PACIENTES AMPUTADOS
Resumo
Introdução: A amputação consiste na remoção parcial ou total de um membro, sendo indicada como intervenção terapêutica para diferentes condições clínicas. A amputação de membros acarreta impacto funcional, econômico e psicossocial substancial. Conhecer a distribuição das etiologias e dos níveis de amputação segundo a faixa etária é fundamental para compreender o perfil dessa população e contribuir para o planejamento de estratégias preventivas e de reabilitação protética.
Objetivo: Analisar a prevalência da etiologia e do nível de amputação de membros e sua associação com a idade de pacientes admitidos em 2025, em um centro de reabilitação física.
Metodo: Trata-se de um estudo retrospectivo, descritivo e quantitativo, realizado por meio da análise de prontuários de pacientes com amputação de membros, atendidos no Centro de Medicina de Reabilitação Lucy Montoro – Santos (CMRLMS). Foram analisados 116 prontuários, referentes aos atendimentos realizados no ano de 2025. As informações coletadas foram: idade, gênero, etiologia da amputação e nível de amputação. Os dados foram organizados em planilha eletrônica e submetidos à análise estatística descritiva, sendo apresentadas frequências absolutas e relativas para as variáveis categóricas. A idade foi analisada como variável quantitativa, sendo apresentada por meio de média e desvio-padrão.
Resultados:
Cinco prontuários foram excluídos do estudo por ausência de informações, totalizando 111 prontuários analisados, sendo a idade média encontrada de 63,9 ± 13,2 anos e predomínio do gênero masculino (64,0%; n = 71) (Figura 1).. Em relação a prevalência de etiologia houve predomínio de causa Vascular (45% n=50) e Infecciosa (43,2%, n=48). Na sequência, 7,2% (n=8) de causa Traumática e 4,5% (n=5) Neoplásica, como menos frequentes. Quanto ao nível de amputação, a prevalência foi para Transfermoral (45%, n=50) seguida de Transtibial (32,4% n=36) e Parcial de pé (18,9%, n=21). Casos pontuais como Desarticulação de quadril e joelho, mantiveram-se em 0,9%, o que caracteriza apenas um caso de cada. Com relação a amputação de membro superior, 1,8% (Transumeral (n=1) e Parcial de mão (n = 1)). (Figura 2). O perfil observado reflete o envelhecimento progressivo da população e sua relação com as doenças crônicas não transmissíveis: indivíduos idosos acometidos por complicações vasculares periféricas e infecciosas (frequentemente decorrentes do diabetes mellitus e hipertensão descompensados). O elevado percentual de amputações transfemorais (45,0%) pode sinalizar intervenções cirúrgicas tardias ou doença arterial obstrutiva avançada, o que resulta em maior custo energético para a marcha protética. Casos traumáticos concentraram-se na faixa etária jovem/adulta.
Conclusão: A população atendida em 2025 foi predominantemente composta por homens idosos com amputações maiores de membros inferiores, predominantemente de etiologia vascular e infecciosa. Os achados reforçam a necessidade de fortalecer a atenção primária na prevenção do pé diabético e da vasculopatia periférica, associada a protocolos ágeis de reabilitação e protetização para recuperação funcional.
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