Associação entre comportamento sedentário e desempenho de marcha em indivíduos pós-AVC
Resumo
Introdução: O acidente vascular cerebral (AVC) frequentemente ocasiona comprometimentos motores que limitam a mobilidade e a funcionalidade dos indivíduos. A redução da velocidade de marcha e o comportamento sedentário são condições frequentemente observadas nessa população, podendo estar associadas a limitações funcionais e à restrição da participação nas atividades cotidianas. Compreender a relação entre o tempo de permanência sentado e o desempenho da marcha pode contribuir para a identificação de fatores associados à mobilidade e subsidiar estratégias direcionadas à reabilitação.
Objetivo: Analisar a associação entre o tempo de permanência sentado e o desempenho da marcha em indivíduos com hemiparesia espástica pós-AVC.
Metodo: Estudo observacional, descritivo e transversal, realizado em um centro de reabilitação física em Santos-SP, com amostra de conveniência composta por 25 indivíduos adultos com hemiparesia espástica unilateral há pelo menos seis meses, capazes de deambular com ou sem dispositivos auxiliares. Foram coletados dados sociodemográficos e realizadas avaliações da velocidade de marcha por meio do Teste de Caminhada de 10 metros (TC10m) e do tempo de permanência sentado, obtido pelo Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ), versão curta. A associação entre as variáveis foi analisada pelo coeficiente de correlação de Spearman, adotando-se nível de significância de 5%.
Resultados: A amostra apresentou média de idade de 54,3 ± 15,4 anos, com predominância do gênero feminino (52%). O tempo de permanência sentado apresentou mediana de 8 horas diárias (IIQ: 5–12), enquanto a velocidade de marcha foi de 0,4 m/s (IIQ: 0,2–0,5). Observou-se correlação negativa entre o tempo de permanência sentado e a velocidade de marcha (rho = −0,669; p = 0,001), indicando que maiores períodos sentados estavam associados a menores velocidades de deambulação. Esse achado sugere uma associação entre o comportamento sedentário e o comprometimento do desempenho da marcha. Entretanto, o delineamento transversal não permite estabelecer relações de causalidade.
Conclusão: O maior tempo de permanência sentado esteve associado à menor velocidade de marcha em indivíduos com hemiparesia espástica pós-AVC. Esses achados reforçam a relevância de estratégias que promovam a redução do comportamento sedentário e a melhora do desempenho da marcha, contribuindo para a mobilidade funcional e subsidiando o planejamento de intervenções fisioterapêuticas voltadas a essa população.
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