CARDIOPATIAS CONGÊNITAS EM UMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL: PREVALÊNCIA E FATORES DE RISCO
Palavras-chave:
Cardiopatias congênitas, Neonatologia, Recém-nascidoResumo
Introdução: As cardiopatias congênitas constituem importantes malformações do período embrionário e estão relacionadas à morbimortalidade neonatal. A identificação precoce dessas alterações, ainda no período pré-natal ou nas primeiras horas de vida, possibilita o planejamento da assistência ao nascimento, o diagnóstico oportuno e o encaminhamento para cuidados especializados.
Objetivo: Analisar a prevalência das cardiopatias congênitas em recém-nascidos internados em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, descrever o perfil materno e neonatal, identificar os tipos de cardiopatias mais frequentes, os métodos diagnósticos utilizados e os desfechos clínicos.
Método: Estudo observacional, transversal e quantitativo, realizado por meio da análise de prontuários de recém-nascidos internados em um hospital terciário. Foram avaliadas variáveis maternas, obstétricas e neonatais, além dos tipos de cardiopatias, métodos diagnósticos, condutas terapêuticas e desfechos clínicos. Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob parecer nº 7.792.610.
Resultados: Foram identificados 19 recém-nascidos com cardiopatias congênitas. Entre as mães, 68,4% tinham entre 18 e 30 anos, 36,8% apresentavam comorbidades preexistentes e 68,4% tiveram complicações gestacionais. Quanto ao acompanhamento pré-natal, 68,4% realizaram mais de seis consultas. Entre os recém-nascidos, 63,2% eram do sexo masculino, 89,5% nasceram a termo e 84,2% apresentaram peso ao nascer ≥2.500 g. As cardiopatias acianogênicas foram as mais frequentes, destacando-se comunicação interatrial (73,7%), persistência do canal arterial (42,1%) e comunicação interventricular (31,6%). O ecocardiograma fetal foi responsável pela identificação inicial em 42,1% dos casos, seguido pelo teste do coraçãozinho alterado (26,3%) e exame físico alterado (21,1%). Todos os recém-nascidos realizaram ecocardiograma pós-natal. A alta hospitalar ocorreu em 94,7% dos casos, sendo registrado um óbito (5,3%).
Conclusão: Houve predominância de cardiopatias congênitas acianogênicas, especialmente comunicação interatrial, persistência do canal arterial e comunicação interventricular, com evolução clínica favorável na maioria dos casos. Os achados reforçam a importância do acompanhamento pré-natal, da triagem neonatal, do diagnóstico oportuno e da assistência multiprofissional especializada na organização do cuidado aos recém-nascidos com cardiopatias congênitas.
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