ESTRESSE OCUPACIONAL, ESGOTAMENTO E CONDIÇÕES DE CUIDADO NA ENFERMAGEM NEONATAL
Palavras-chave:
Estresse Ocupacional, Esgotamento Profissional, Enfermagem Neonatal, Unidades de Terapia Intensiva NeonatalResumo
Estresse ocupacional, esgotamento e condições de cuidado na enfermagem neonatal
Introdução: A assistência neonatal envolve elevada complexidade, vigilância contínua e rápidas tomadas de decisão, expondo a equipe de enfermagem a demandas físicas, emocionais e organizacionais. Nesse cenário, estresse ocupacional e esgotamento profissional podem estar associados à percepção das condições em que o cuidado é realizado.
Objetivo: Analisar o estresse ocupacional e o esgotamento profissional da equipe de enfermagem neonatal e suas associações com a percepção das condições de cuidado e segurança assistencial.
Método: Estudo quantitativo, descritivo e transversal, com análise inferencial exploratória, realizado com 35 profissionais de enfermagem do período diurno da unidade neonatal de uma maternidade-escola de São Paulo. Foram aplicados questionário sociodemográfico e laboral, a Job Stress Scale (JSS) e o Oldenburg Burnout Inventory (OLBI), além de quatro itens sobre condições de cuidado. Utilizaram-se estatística descritiva e correlação de Spearman (p<0,05). Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer nº 8.418.908).
Resultados: Todas as participantes eram mulheres, 54,3% eram técnicas de enfermagem e 57,1% atuavam em neonatologia havia mais de sete anos. Para 82,9%, o dimensionamento de pessoal era parcialmente suficiente ou insuficiente. Além disso, 97,1% relataram sentir-se esgotadas após o trabalho. As situações desfavoráveis mais frequentes foram equipe insuficiente (65,7%), risco de erro por sobrecarga (57,1%) e interrupções ou multitarefas (51,4%). Condições de cuidado mais desfavoráveis correlacionaram-se com maior demanda psicológica (ρ=0,642), exaustão (ρ=0,663) e desengajamento (ρ=0,518), e de forma inversa com o apoio social (ρ=−0,665), todas com p≤0,001. A demanda psicológica também se correlacionou com a exaustão (ρ=0,670; p<0,001).
Conclusão: Maior demanda psicológica e maior exaustão estiveram associadas à percepção de condições mais desfavoráveis ao cuidado, enquanto maior apoio social apresentou associação inversa. Os achados reforçam a relevância de ações institucionais voltadas à organização do trabalho, ao apoio às equipes e à segurança assistencial.
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