CUIDADOS PALIATIVOS NEONATAIS NA UTIN
PERCEPÇÕES DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL SOBRE BARREIRAS E DESAFIOS
Palavras-chave:
Cuidados Paliativos, Unidades de Terapia Intensiva Neonatal, Equipe de Assistência ao Paciente, Recém-NascidoResumo
Introdução: Os cuidados paliativos neonatais buscam promover conforto, controle de sintomas e suporte à família de recém-nascidos com condições que ameaçam ou limitam a vida, e devem ser iniciados desde o diagnóstico. Na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), sua implementação depende da articulação da equipe multiprofissional e enfrenta barreiras culturais, emocionais e organizacionais.
Objetivo: Analisar a percepção da equipe multiprofissional de uma UTIN sobre a implementação dos cuidados paliativos neonatais, identificando barreiras, fatores associados e estratégias de melhoria.
Método: Estudo transversal, descritivo e exploratório, de abordagem quantitativa e qualitativa, realizado com 34 profissionais da UTIN de uma maternidade-escola do município de São Paulo. Os dados foram coletados por questionário com perguntas fechadas, itens em escala Likert e questões abertas. Utilizaram-se estatística descritiva, testes exato de Fisher e de Mann–Whitney e correlação de Spearman (p<0,05). As respostas abertas foram organizadas em categorias temáticas. Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer nº 8.724.902).
Resultados: Predominaram mulheres (91,2%), com mediana de idade de 37 anos, e 73,5% referiram capacitação prévia em cuidados paliativos. Apenas 41,2% reconheceram a existência de protocolo estruturado. Além disso, 52,9% relataram discussão multiprofissional rara ou inexistente, e somente 17,6% consideraram satisfatória a comunicação com a família. As barreiras mais citadas foram a dificuldade de comunicação com a família (73,5%) e a falta de protocolo, de capacitação e de comunicação entre a equipe (67,6% cada). Quem não reconhecia o protocolo apontou mais sua ausência como barreira (90,0% vs. 35,7%; p=0,002). A discussão multiprofissional rara associou-se a pior avaliação da integração da equipe (5,6% vs. 50,0% a avaliaram como boa; p=0,006). As questões emocionais correlacionaram-se ao desafio da abordagem familiar (ρ=0,602; p<0,001). Nas respostas abertas, destacaram-se a associação dos cuidados paliativos à terminalidade, a carga emocional da equipe e a demanda por educação permanente, protocolo claro e fortalecimento multiprofissional.
Conclusão: Lacunas no reconhecimento do protocolo, discussão multiprofissional pouco frequente e dificuldades de comunicação com as famílias limitam os cuidados paliativos neonatais na unidade. Protocolo claro e divulgado, educação permanente, espaços de discussão multiprofissional e suporte emocional à equipe podem qualificar essa assistência.
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