DA SOBERANIA MÉDICA À CONSTRUÇÃO INTERDISCIPLINAR

Reestruturação Diagnóstica em um CER

Autores

  • Ana Paula Ribeiro Hirakawa CERIV- Centro Especializado em Reabilitação do M'Boi Mirim
  • Clebes Ferreira da Costa Junior CER IV M’Boi Mirim - Centro Especializado em Reabilitação – São Paulo, SP
  • Suzi Mary Simões CER IV M’Boi Mirim - Centro Especializado em Reabilitação – São Paulo, SP

Palavras-chave:

Reabilitação, Equipe de Assistência ao Paciente, Diagnóstico Diferencial

Resumo

Historicamente, a definição nosológica em saúde esteve assentada na centralidade da decisão médica isolada. Contudo, na reabilitação infantojuvenil que acolhe desde a primeira infância até a transição para a vida adulta, a complexidade dos transtornos do neurodesenvolvimento impõe uma leitura que ultrapassa consultas pontuais, sob o risco de rotulações precoces em crianças ou mascaramentos clínicos em adolescentes. O objetivo deste trabalho é relatar a experiência de implantação de um modelo de deliberação diagnóstica compartilhada em um Centro Especializado em Reabilitação (CER) em São Paulo/SP, integrando equipe médica e terapeutas na investigação de casos complexos. Trata-se de um relato de intervenção clínica e gerencial estruturado em quatro eixos: colegiado clínico obrigatório (discussão com a equipe médica e ao menos três categorias terapêuticas antes da emissão do laudo); canal de troca contínuo e não linear ao longo do acompanhamento; diferenciação longitudinal do desenvolvimento (avaliando linguagem, sensorialidade, funcionalidade, motricidade, dinâmica familiar e subjetividade segundo o ciclo vital); e gestão de agenda com tempo institucional protegido para reuniões clínicas. Como resultados, a circulação precoce de impressões clínicas possibilitou capturar nuances do cotidiano assistencial inacessíveis à consulta médica isolada, qualificando o diagnóstico diferencial tanto na infância quanto em adolescentes próximos da vida adulta. A escuta multiprofissional consolidou-se como elemento deliberativo legítimo, promovendo horizontalidade, corresponsabilização e maior respaldo ético na devolutiva familiar e na elaboração do Projeto Terapêutico Singular (PTS). Conclui-se que superar a soberania médica por meio de dispositivos colegiados qualifica o processo diagnóstico no SUS, transformando o laudo em instrumento ético para a autonomia e o cuidado singular.

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Publicado

2026-10-01

Como Citar

Ribeiro Hirakawa, A. P., Ferreira da Costa Junior, C., & Simões, S. M. (2026). DA SOBERANIA MÉDICA À CONSTRUÇÃO INTERDISCIPLINAR: Reestruturação Diagnóstica em um CER. Anais De Eventos Científicos CEJAM, 1(12). Recuperado de https://evento.cejam.org.br/index.php/AECC/article/view/1292

Edição

Seção

e-Pôster|Gestão| E5. Liderança e Comportamento Organizacional

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