DA NECESSIDADE À POTÊNCIA

O MAPEIO DE ATIVOS EM SAÚDE COMO FORTALECIMENTO DO USUÁRIO NO SUS

Autores

  • Taynã do Nascimento Costa Moreira Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim/ Supervisora Sanitarista APS CEGISS
  • Lucia Regina Gatti Murakami Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim/Gerente de Serviços de Saúde APS
  • Guilherme Moura Bejo Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim/Sanitarista APS CEGISS
  • Fernanda Silva Fuscaldi Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim/Gerente de Qualidade
  • Raquel Rodrigues Nakamato Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim/Supervisora Técnica em Saúde Qualidade

Palavras-chave:

Atenção Primária à Saúde., Gestão da Qualidade

Resumo

Introdução:

A jornada do usuário transcende os muros da unidade, iniciando-se na comunidade e tendo as condições e o contexto de vida como pano de fundo do seu cuidado em saúde. O Mapeio de Ativos surge como uma estratégia de Promoção da Saúde que integra o Modelo Assistencial CEJAM ao reconhecer os marcadores sociais no percurso do cuidado. Essa abordagem muda a lente do déficit para a potência, tendo os recursos territoriais como elementos fundamentais para a saúde e bem-estar. Assim, a assistência passa a ser compreendida e estruturada a partir da real vivência, experiência e necessidade do próprio usuário.

 

Objetivo:

Apresentar o Mapeio de Ativos em Saúde como uma estratégia que conecta as potências do território à Gestão da Qualidade. Em alinhamento com o manual da ONA, a metodologia valoriza a perspectiva do usuário sobre sua própria jornada, tornando a escuta comunitária um dado rastreável.

Método:

A metodologia consiste em um fluxo padronizado de escuta comunitária ativa, realizada pelas equipes de saúde.

A primeira fase tem a participação fundamental do Agente Comunitário e a segunda fase a equipe técnica e multiprofissional.

No primeiro formulário, o ACS levanta os ativos e registra para a unidade.

No segundo momento, a equipe técnica avalia o usuário de acordo com a carteira de ativos validada.

A identificação de ativos como pessoas, equipamentos e atividades potencializa a realização de prescrição social que integrada ao plano de cuidados individualizado do paciente, vincula-o formalmente aos recursos da comunidade e a continuidade do cuidado.

Os dados levantados são registrados nos formulários do Mapeio de Ativos no Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), garantindo a rastreabilidade e a segurança das informações do usuário.

Em 2026, como melhoria da proposta foram acrescentadas duas perguntas no formulário em relação à percepção de saúde do usuário e na hiper utilização dos serviços de RUE, trazendo outras análises da APS e da Rede de Atenção à Saúde

Resultados:

A aplicação prática da metodologia no piloto (2024) evidenciou engajamento, totalizando 1000 formulários preenchidos, sendo a maioria expressiva proveniente de usuários adultos e idosos (somente na primeira fase) com o público-alvo as pessoas com hipertensão.A escuta territorial estruturada demonstrou que as barreiras de cuidado muitas vezes não são apenas clínicas, mas de falta de vinculação social e pertencimento comunitário.

Institucionalmente, em 2026 o Mapeio de Ativos em Saúde está em fase de ampliação para mais unidades, permitindo o avanço na mensuração de ativos como pessoas referência nos territórios, equipamentos como academias de terceira idade e atividades como dança em associações do bairro, que dentre outras, e de forma ampliada,  se transformam em oportunidade de alinhamento às exigências do novo manual da ONA quanto a Jornada do Paciente.

As fases de conscientização da saúde, tratamento e continuidade do cuidado se destacam, por se relacionar diretamente ao mapeio de ativos.

Imagem 1. Jornada do Paciente x Mapeio de Ativos, 2026 (Criada por IA).

Observou-se também que a conversão de potencialidades territoriais em indicadores assistenciais fortaleceu o monitoramento integrado da saúde.

Novas medidas e o avanço do projeto poderão demonstrar melhoria da percepção de saúde da população (qualidade de vida) e sua experiência.

 

Conclusão: 

O Mapeio de Ativos materializa o compromisso estratégico do Modelo Assistencial CEJAM ao colocar, de fato, o cidadão e a sua vivência no centro da jornada. Ao formalizar a potência do território para dentro do consultório clínico, transformamos o vínculo comunitário em um cuidado real, mensurável e com rastreabilidade. A metodologia é do campo da Promoção da Saúde, abordando o bem-estar e trazendo elementos para análise como a Equidade e os Marcadores Sociais em Saúde. O resgate do território como parte de nossos processos, garantimos a melhoria da qualidade de vida e desfechos muito mais resolutivos para a população e para os serviços de saúde.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Moreira, T. do N. C., Regina Gatti Murakami, L., Moura Bejo, G., Silva Fuscaldi, F., & Rodrigues Nakamato, R. (2026). DA NECESSIDADE À POTÊNCIA: O MAPEIO DE ATIVOS EM SAÚDE COMO FORTALECIMENTO DO USUÁRIO NO SUS. Anais De Eventos Científicos CEJAM, 1(12). Recuperado de https://evento.cejam.org.br/index.php/AECC/article/view/1348

Edição

Seção

e-Pôster|Gestão| E11. Qualidade, Processos e Governança em Saúde

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